Você concorda com a flexibilização do porte de armas no Brasil?

No último dia 7 de maio foi publicado no Diário Oficial da União um decreto que facilita o porte e a posse de armas no país. Depois de críticas gerais ao novo decreto, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) recuou e fez algumas mudanças, publicadas no dia 22 de maio. De acordo com o jornal ‘O Globo’, o novo decreto amplia a permissão de porte para todos os advogados do país. No texto original, a autorização era apenas para advogados do setor público. Também receberam o direito os funcionários de lojas de armas e de escolas e clubes de tiro que sejam responsáveis pela guarda dos armamentos. Antes, somente os proprietários ou dirigentes desses estabelecimentos podiam pedir o porte. Foram mantidas a facilitação do porte de armas para categorias profissionais como caminhoneiro, advogado e profissional de imprensa de cobertura policial
Estes e outros pontos continuam gerando críticas e debates por todo o Brasil.

O Jornal Nossa Cidade questionou algumas pessoas sobre elas serem a favor ou contra o novo decreto e o motivo. Leia as respostas a seguir:


Roberto Fernandes de Lima, delegado de Cambé

“Sou totalmente contra. O fator que mais me preocupa é o fator de risco. As pessoas não têm controle emocional para lidar com as armas. Há uma chance muito grande de pessoas serem feridas por não terem relação nenhuma com os conflitos ocasionados pela flexibilização da posse de armas. E também é uma ilusão acreditar que as armas são um elemento de proteção, principalmente para quem não sabe e não tem preparo para utilizar. É incompetência do estado acreditar que esse é um fator que vai contribuir para a segurança pública. Não é assim que se abaixa os índices de criminalidade de um país.”


Bruna Zandoná Reche, Advogada, Vice-coordenadora da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Londrina

“Sou contra. Importante frisar a inconstitucionalidade do decreto já indicada pelo MPF, que aponta ainda as ilegalidades que se acumulam em praticamente todos os espaços regulados pelo decreto, posse, compra, registro, porte, tiro esportivo e munições.
Ainda, considerando a amplitude do decreto, a liberação do porte de armas para os ditos “cidadãos de bem” irá acabar por armar ainda mais os criminosos. Estudos demonstram que grande parte das armas ilícitas utilizadas em ações criminosas foram em sua origem lícitas, ou seja, o aumento da circulação de armas de fogo sem a habilitação técnica e psicológica pode fortalecer facções criminosas, por meio de desvios e roubos de armamentos.”


Pastor Nilson Maciel de Souza

“Sou contra. O ser humano sempre considera-se valente quando pode contar com o apoio de uma arma. O sabio disse:” quem com ferro fere com ferro será ferido”, e ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém. Quando damos liberdade de usar a arma, mesmo que seja por precaução, estamos declarando pode matar quem quer que seja. Sou favorável à melhoria da segurança pública com salários dignos e aumento de pessoal efetivo.”


Renata Sousa, professora

“Sou contra. Os brasileiros não estão preparados para ter uma arma em casa, não tem preparo psicológico para isso e com certeza será um fator que vai contribuir para o aumento da criminalidade no país. Eu acredito que o que vai trazer segurança para a população são estratégias mais inteligentes que devem ser elaboradas pelo poder público que incluam a segurança de todos, sem exceções.”

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