LUGARES DE CAMBÉ: Um passeio até o Bratislava

Mesmo tendo suas origens em uma colonização recente, o Município de Cambé guarda em sua história um patrimônio muito rico em momentos, situações, costumes, tradições, além de objetos, construções, entre tantas outras coisas, que ainda se misturam à modernidade atual, que retratam o trabalho e a vida das várias etnias que aqui se estabeleceram ao longo dos tempos.

Por todos os caminhos, em cada pedaço da cidade, ainda é possível vivenciar os contrastes que vêm marcando os moradores de geração em geração. Misturar passado e presente, sem mergulhar profundamente na história, a proposta da publicação desta série é mostrar locais que ainda guardam algumas dessas características do passado e como se modificaram. Com certeza todos esses locais merecem ser visitados.

Para quem quiser se aprofundar na história de cada local, recomendamos uma visita ao Museu Histórico de Cambé, que possui um vasto material, entre objetos, fotografias, filmes e conteúdos bibliográficos. Para começar vamos até o Bratislava.

Um passeio até o Bratislava
O Bratislava já foi um núcleo criado pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CNTP), empresa inglesa que colonizou várias cidades da nossa região. O objetivo era dar apoio aos agricultores que se instalaram nas suas redondezas. Lá estava concentrado o comércio, como mercearias (chamadas de vendas), máquina de benefício de arroz, escola, igreja, salão de festas e residências.
PARQUE HISTÓRICO DANZIGER HOF
Logo no início do passeio, encontramos o Parque Histórico Danziger Hof. É uma área de 90 mil metros quadrados de mata, local que historiadores da cidade afirmam ser o Marco Zero de Cambé.

Seria onde foi construída uma pousada para receber os primeiros imigrantes vindos de Danzig, um porto livre que hoje pertence à Polônia. Além de trilhas, o local abriga duas casas de famílias de pioneiros e outras estruturas para a promoção de atividades culturais.

VENDA RURAL
Seguindo para o Bratislava, a poucos metros do parque, tem a Venda Rural. Com uma decoração típica do meio rural, o local oferece um ambiente aconchegante, agradável e muito descontraído. Funciona aos fins de semana e recebe muitas pessoas que frequentam as chácaras de lazer ou grupos de motoqueiros ciclistas e famílias que buscam boa comida e aquela cerveja gelada. O almoço dos domingos é servido no fogão a lenha e o prato geralmente é uma farta feijoada.
CHÁCARAS E CONDOMÍNIOS RESIDENCIAIS
Por ser bastante próxima da cidade, a região ganhou muitos moradores fixos nos últimos anos, atraídos pelos belos condomínios residenciais e loteamentos de chácaras de lazer. Nos finais de semana o fluxo de veículos e pessoas é intenso. Os campos de futebol suíço, as belas piscinas e os espaços para locação são atrações a parte. Recentemente a pavimentação asfáltica da estrada foi totalmente refeita, o que proporciona mais segurança e facilidade de locomoção.
LONDRINA GOLF CLUBE
O Londrina Golf Clube está aberto para novos associados, principalmente para quem gosta de jogar golfe ou quer aprender a praticar o esporte. O local, que ocupa uma área de 35 alqueires, possui atualmente 100 sócios. A estrutura é composta de um campo de 18 buracos, considerado um dos melhores do Paraná, driving range, putting green, casa de tacos, carro de golfe, vestiários masculino e feminino, bar, restaurante e estacionamento.
ESCOLA E CAPELA
A monografia de Isabel Francisco de Oliveira Barion, da Universidade Estadual de Maringá, vai às raízes da Escola Rural que funcionou no Bratislava, em Cambé.

Imigrantes europeus que professavam a religião católica, segundo a autora, tornaram marcante a relação entre educação e fé na então Colônia Bratislava. Com isso buscavam “a oportunidade de preservar os laços culturais com seu país de origem”.

Por isso a capela e a escola da comunidade foram inicialmente construídas na beira do rio a cerca de 1.000 metros abaixo de onde as duas construções são vizinhas atualmente, na sede da comunidade. Isabel Francisco escreve em sua monografia que o Bratislava surgiu com a presença de reimigrantes europeus do interior de São Paulo atraídos pela cultura do café. “Ali se organizaram em cooperativa, juntando forças, para satisfazer materiais de cada família”. Para preservar seus hábitos culturais, fundavam suas próprias escolas para que os filhos pudessem estudar com professores que falassem a língua materna. Em Bratislava a escola foi construída em 1936, por uma organização que foi denominada Sociedade Escolar Brasileira da Colônia Bratislava.

Citando o estudioso e escritor cambeense José Julio de Azevedo, a autora diz que cada sócio pagava 3$000 réis por mês de contribuição, arrecadação que serviu para a obra e a sua manutenção, inclusive do professor. O primeiro professor foi Bruno Comége, que recebia seu salário das contribuições dos pais dos alunos. Em abril de 1937 uma professora foi nomeada pelo poder público. Mas documentos indicam que ela permaneceu no estabelecimento apenas nos primeiros dias, pois Comége continuou lecionando por cerca de quase três anos após a inauguração da escola.

No ano de 1944 a escola foi municipalizada. Em 1948 teve o nome alterado para Escola Municipal Manoel Ribas. “A escolha do nome da instituição não foi só em homenagem à memória de Manoel Ribas, foi também uma forma de o poder público cambeense, que detinha o poder ‘simbólico’, fazer-se presente na Colônia Bratislava”, enfatiza a autora. No ano de 1949 foi construído o Grupo Escolar Rural Manoel Ribas, em novo local, encerrando o período da escola étnica. No ano de 2000 passou a ser denominada Escola Rural Municipal Ana Zichack Mazzei, em homenagem a uma ex-professora, falecida em 1999. (Site PMC)

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