SUPERLOTAÇÃO: Os problemas enfrentados pelos servidores na cadeia de Cambé

Por Júlia Cristina da Silva

Falta de pessoal dificulta ainda mais a gestão da carceragem .

Construída e ampliada inicialmente para acomodar 54 presos, atualmente a cadeia de Cambé enfrenta uma superlotação abrigando 156 presos, três vezes mais do que ela comporta. A cadeia foi construída no mesmo local da delegacia e a falta de pessoal responsável pela carceragem interfere muito nos trabalhos de investigação da polícia civil, já que muitos policiais acabam se tornando carcereiros. Além disso, outros problemas são gerados pelo excesso de pessoas presas, como a falta de higiene no local e transmissão de doenças.

Dos 156 detentos, oito são mulheres e 148 são homens. Do total de presos, 68 são condenados. A guarda dos presos é compartilhada entre a polícia civil e o departamento penitenciário. É de responsabilidade da polícia a segurança e a escolta de presos para atendimento médico e transferências. O Departamento Penitenciário, por meio dos agentes de cadeia, tem a responsabilidade do trato diário, a revista dos visitantes e toda a parte administrativa referente aos presos e à carceragem.


Delegado Roberto Fernandes de Lima

De acordo com o delegado Roberto Fernandes de Lima, a falta de pessoal da guarda, principalmente em plantões, afeta diretamente o trabalho da polícia civil. “Ter a carceragem e a delegacia no mesmo prédio é estressante e bastante frustrante. Uma vez que a principal função da polícia civil é a investigação, não a de ”carcereira”, e isso faz com que diversos policiais civis sejam desviados de suas funções para ficarem responsáveis pela cadeia. Isso causa um prejuízo para a sociedade, pois cada crime sem investigação e consequente elucidação gera a impunidade do autor e possibilita a ocorrência de outro crime”, declara.

Em relação à saúde dos detentos, a superlotação aumenta a possibilidade de transmissão de doenças, já que eles estão em um local fechado e com muito pouco espaço. Mas o delegado explica que na carceragem acontece o atendimento médico preventivo uma vez por semana e ao ser percebido algum caso de doença infecciosa eles são isolados e o atendimento médico é imediato.

Outro problema, causado pelo fato da delegacia e carceragem superlotada serem no mesmo ambiente, é a insegurança de quem busca por atendimento e dos próprios servidores. ”A precária situação do local é um dos principais motivos que causam fugas e rebeliões por parte dos presos, colocando as pessoas que têm contato com a delegacia em situação de perigo”, enfatiza o delegado, sobre o risco causado pela situação.

Ainda segundo Lima, a construção de novos presídios é uma medida de extrema urgência. “O estado já implementou diversas políticas criminais de desencarceramento por meio de leis, transações judiciais, aplicação de multas, como cestas básicas, prestação de serviço comunitário, entre outras medidas. Em razão disso, não vejo mais o que se possa fazer a não ser a construção de mais presídios”.

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