Haitianos de Cambé comemoram independência

A Associação dos Movimentos Imigrantes Haitianos do Brasil (AMIHBR) celebrou a última batalha da Revolução Haitiana com um evento gastronômico no último domingo, dia 18 de novembro. O banquete servido no Colégio Estadual Olavo Bilac teve o objetivo de mostrar aos brasileiros um pouco da culinária e da cultura da ilha caribenha. Segundo o presidente da associação, Jimmy Cateur Dazuma, o dia 18 de novembro é umas das principais datas comemorativas do Haiti, remontando o derradeiro levante do libertador Jean-Jacques Dessalines contra as tropas imperiais francesas. A independência veio no dia 1º de janeiro de 1804, transformando o Haiti na primeira república negra livre do mundo.

O cardápio da festa foi composto de comidas típicas haitianas, como a picante salada de repolho e cenoura, a tradicional banana da terra frita e o antepasto de beringela com carne de boi temperado com especiarias locais. Dazuma explica que a combinação mais comum no prato haitiano é o griot de porc, composto de arroz, salada picante, bolinhos de farinha temperada, banana da terra frita e carne suína assada. Para acompanhar, os haitianos serviram o aperitivo Cremas, um lícor produzido a partir de leite de coco, leite condensado e rum, temperado com canela, noz-moscada e aniz. O evento também contou com apresentações culturais em celebração à força e a luta dos haitianos pela independência.

O presidente da Associação explica que o evento serve para mostrar um pouco mais da cultura de seu país. “A imagem do Haiti sempre está relacionada com pobreza e fome, mas meu país tem muitas paisagens belas e principalmente um povo forte foi o primeiro do mundo a lutar pela independência do império europeu nas américas. Somos um povo que tem a liberdade no nosso sangue”, exalta Dazuma.

A Associação foi fundada em 2017 para unir os imigrantes que vivem na região e ajudá-los a ter uma vida normal no Brasil. “Muitas vezes os recursos são tirados do próprio bolso dos membros para ajudar os imigrantes que precisam. Estamos em busca de mais condições para ajudarmos mais pessoas”, explica o presidente.

Segundo Dazuma, os imigrantes haitianos têm enfrentado dificuldades para continuarem a vida aqui no país, especialmente depois de 2016 e o declínio da economia brasileira. Dazuma chegou ao Brasil em 2012 e um ano depois trouxe sua esposa. Jornalista e radialista profissional no Haiti, Dazuma já trabalhou em uma rede de supermecados, com construção civil e hoje, em uma loja de fast food no shopping Catuaí, mas o seu sonho mesmo é continuar exercendo sua profissão aqui no Brasil. “Para eu conseguir continuar trabalhando como jornalista aqui é preciso fazer novamente a faculdade. Estou indo atrás disso”, conta.

Já Guernsei Sejour, secretário da Associação, de 30 anos, está desempregado. Imigrante há dois anos no Brasil, Sejour era pintor artístico no Haiti, aqui trabalhou em uma fábrica de vasos em Cambé. Segundo ele, uma das principais dificuldades que encontra ao procurar emprego aqui é a adaptação à língua. “Ainda não me adaptei totalmente à língua do Brasil, mas estou buscando trabalhar com pintura artística aqui, assim com eu fazia no Haiti”, diz.

Mesmo com suas dificuldades pessoais, Dazuma, Sejour e os outros membros da associação juntam forças para conquistarem mais oportunidades a outros imigrantes que vivem no país. “Passamos por muitas provações, recebemos ajuda de alguns grupos como a Caritas de Londrina, mas vamos continuar lutando para realizar nossos sonhos aqui neste país que nos recebeu de braços abertos”, explica Dazuma .

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