FIQUE ATENTO: Vítimas caladas facilitam falsos sequestradores

Um dos casos registrados em Londrina resultou na prisão no Rio de Janeiro de pai de preso no Complexo de Bangu 1.

Internet mostra casos de pessoas que inverteram a situação e fizeram os golpistas virarem golpeados; vídeos mostram as abordagens parecidas usadas pelos bandidos.

 

“Me ajuda mãe, eu estou machucada. Me ajuda mãe…” Qualquer brasileiro corre o risco de atender uma ligação telefônica, no fixo da residência ou do trabalho, ou no celular, com a voz de uma criança chorando e pedindo por socorro ao pai ou à mãe.

O problema é que se a pessoa que atende tem um filho ou uma filha, ela será tomada pelo desespero e não terá condições de perceber que a voz, com pedidos sucessivos, é de um adulto imitando um adolescente ou uma adolescente.

A maioria dessas ligações são feitas por presidiários. E boa parte sai dos complexos prisionais do Rio de Janeiro. Após o pedido de socorro da falsa menina ou do falso menino, entra o bandido dizendo que recebeu do suposto filho ou da suposta filha informações sobre a família. A fala é parecida: “Ele (ou ela) disse que a senhora (ou senhor) é uma pessoa de bem, que vai fazer de tudo para ajudá-lo (ou ajudá-la) e não vai avisar a polícia e nenhuma outra pessoa…”

Em vídeo postado na internet, uma manicure mãe de uma criança recebe a ligação e o choro é de uma moça dizendo ser sua filha e ter sido pega pelo sequestrador. Ela pede para a suposta mãe que pague o que o bandido exige.
Na cena a manicure está em atendimento de uma freguesa. Uma colega faz a filmagem enquanto ela simula negociar um valor. O falso sequestrador pede R$ 30 mil. Ela responde, irritada: “PQP… trinta mil? Pode ficar com essa sequestrada que a minha filha está aqui, seu babaca”.

Em outro vídeo, um rapaz solteiro atende e também engana o falso sequestrador, cuja abordagem é a mesma do vídeo da manicure: o filho sequestrado disse a ele que o pai é uma pessoa de bem e não vai fazer nada que possa prejudicar a família. Depois de 40 minutos de crédito consumido pelo falso sequestrador, o rapaz pede para ouvir a voz do filho antes de ir ao banco fazer uma transferência. Após muita insistência a voz, nitidamente falsa de um adulto imitando um menino, pede ao pai que atenda o seu sequestrador. O valor combinado é de cinco mil reais.

Só então o rapaz abre o jogo. Diz que é solteiro e o tal filho que está sequestrado deve ser “aquele que eu fiz com a sua mãe”. Em seguida, manda o falso sequestrador namorar com seus colegas do Bangu 1 e ser mais inteligente.
Outro vídeo mostra um senhor com sotaque nordestino que, após ouvir a voz do suposto filho pedindo socorro, diz ao falso sequestrador: “Oxê… meu filho é nordeste e virou Rio de Janeiro?”

Além dos vídeos que alguns brasileiros gravaram, é importante que as pessoas que receberam ligações e principalmente as que pagaram resgate comuniquem o fato a polícia. Na microrregião de Londrina, familiares de uma professora que foi obrigada a se hospedar em hotel de Cambé com um dos filhos, comunicaram o falso sequestro à polícia de Londrina, que junto com a polícia do Rio de Janeiro conseguiu prender o pai de um falso sequestrador, preso no complexo de Bangu 1, no momento em que o mesmo foi ao banco resgatar o dinheiro que havia sido transferido pela professora.

Em outro caso, também em Londrina, conhecidos passaram a circular o falso sequestro pelas redes sociais, mas a família, ao que indica, inibiu a manifestação e deve ter pago resgate aos falsos sequestradores.

COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


%d blogueiros gostam disto: