CADEIA DE CAMBÉ: Cada preso tem no máximo dois metros quadrados para sobreviver

A situação caótica existente na cadeia de Cambé é semelhante em todo o Brasil. As poucas vagas abertas, com a construção de novos presídios, são insignificantes em relação ao crescimento da violência no país e consequentemente ao aumento da população carcerária.

A cadeia pública do município, com capacidade para 46 vagas, registra uma média de 200 presos, ou seja, quase cinco vezes a mais do que poderia comportar. O prédio, construído em anexo à Delegacia, possui aproximadamente 400 metros quadrados, o que limita a cada interno um espaço com menos de dois metros quadrados, ou comparado ao tamanho de uma cama de solteiro. Isto ainda porque foram liberados os corredores e o “solarium” do local.

Esse amontoado de pessoas ainda precisa suportar o forte calor que aumenta pela pouca ventilação que circula através de pequenas aberturas nas paredes, todas protegidas por grades. As instalações sanitárias são insuficientes e muito precárias. Além do mau cheiro e falta de higiene, outras questões contribuem para a disseminação de doenças contagiosas entre os presos, como sarna e tuberculose.

Todo esse ambiente degradante, que pode ser comparado a um “barril de pólvora” prestes a explodir, é vigiado por poucos “agentes de cadeia”, que correm sérios riscos de morte para executar o trabalho. Segundo informações, na maioria das noites, o plantão é feito por apenas um agente.

Essa é a rotina da cadeia pública de Cambé, onde a superlotação permanente deve ser considerada como um perigo de consequências imprevisíveis aos agentes, policiais, cidadãos que frequentam a delegacia e principalmente a todos os moradores da cidade, porque são grandes as chances de rebeliões e fugas.

BRASIL – Entre os países que mais têm pessoas encarceradas, o Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking, ficando atrás de Estados Unidos e China. No final de 2017 o número de presidiários ultrapassava 700 mil pessoas, a maioria com idade entre 18 e 29 anos. Cerca de 36% estavam em regime provisório, ou seja, aqueles que ainda não possuem condenação judicial.

Os crimes relacionados ao tráfico de drogas são os que mais levam pessoas às prisões, com 28% da população carcerária total. Somados, roubos e furtos chegam a 37%. Homicídios representam 11% dos crimes que causaram a prisão.

Outros crimes que também apresentam números expressivos neste total de encarcerados são por violência doméstica, sequestro e cárcere privado e contra a dignidade sexual.

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