A cada dois dias a delegacia de Cambé recebe uma denúncia de violência contra a mulher

Mesmo sem nenhum caso de feminicídio, a Delegacia de Cambé em 2018 registrou 216 denúncias de violência contra a mulher. Isso representa uma média de 18 ocorrências por mês, ou seja, mais de uma denúncia a cada dois dias. As formas de agressão são desde física a difamações e injúrias, e a maioria é feita por homens de parentescos próximos da vítima.

Muitas dessas denúncias não são feitas apenas diretamente na delegacia. Os órgãos assistenciais e de saúde do município também podem registrar os casos em uma ficha online de notificação de violência. Através desta forma, o Centro de Referência da Assistência Social (CREAS) de Cambé  recebeu só em 2018, 127 notificações de violência contra a mulher.

O delegado Roberto Fernandes de Lima explicou que após fazer a denúncia, a delegacia abre um Boletim de Ocorrência (B.O.) e a mulher recebe todas as instruções necessárias para dar início ao processo, mas muitas desistem de dar continuidade e acabam retirando a denúncia.

Segundo a coordenadora do CREAS , Flávia Iwakura, isso acontece por motivos que precisam ser acompanhados por profissionais como psicólogos e assistentes sociais. “Elas retiram por conta da dependência econômica, por causa dos filhos – muitas vezes elas têm o discurso de que o agressor é um bom pai e não quer afastar ele das crianças- e também tem a questão da dependência emocional”, explica.

Iwakura declara que há vários indícios de que o companheiro pode se transformar em um agressor. “O ciúme excessivo, o controle de redes sociais, controle de como a mulher deve se vestir entre outros tipos de “cuidados excessivos” são sinais de que a mulher está em um relacionamento abusivo”.

A coordenadora explica também que entre os principais agressores estão os companheiros e ex- companheiros, mas há casos em que a mulher é agredida por irmãos e filhos também. A faixa etária das mulheres que mais denunciam vai dos 20 aos 45 anos.

Os serviços prestados pelo município às mulheres que sofrem violência vão desde o atendimento psicológico até o jurídico. “Hoje o CREAS de Cambé conta com três psicólogos, três assistentes sociais e um assessor jurídico para que a vítima possa receber todo o serviço necessário para romper o ciclo de todos os tipos de violência”, afirma Iwakura.

O CREAS de Cambé existe desde 2009 e atende crianças, adultos, homens e mulheres que são vítimas de violações de direitos. De acordo com os dados da Secretaria de Assistência Social, desde o início já foram registrados 521 casos de violência contra a mulher, desses, 294 romperam o ciclo da violência, mas ainda há 227 casos em aberto.

Redação JNC

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